O uso de cores na web
Verde é esperança; vermelho, paixão; azul, tranqüilidade. Estes são conceitos que comumente atribuímos às cores. Porém, no uso do colorido na edição de sites estes conceitos devem ser considerados absolutamente relativos, dependentes de fatores geográficos, culturais, religiosos, qualitativos, tecnológicos (suporte), etc.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o azul deixa de significar tranqüilidade e passa a denotar tristeza profunda. O cinza, em determinados países, é visto como sinônimo de neutralidade, enquanto em outros é associado a comportamentos desleais. Existem, ainda, cores sagradas para algumas culturas religiosas. O fato é que o uso inadequado deste recurso em uma mídia universal, como a internet, pode, com facilidade, repelir possíveis consumidores.
Interessante é que, apesar do poder simbólico, as cores não existem materialmente: uma cor é tão somente uma percepção do olho a emissões de luz sobre os objetos. Esta percepção é muito particular, variando de indivíduo para indivíduo. A partir do momento em que uma cor é percebida, desencadeiam-se três fases de evolução assimilativa: sensação, evocação e associação.
Estas fases se completam em aproximadamente dois segundos e são as responsáveis pela sensação final que uma cor provoca. De acordo com estudos desenvolvidos pela Universidade de São Paulo, um internauta leva de cinco a 10 segundos para decidir se vai, ou não, permanecer em um site e o que captura sua atenção, neste primeiro momento, são as cores e imagens. Percebe-se então, que as cores têm aplicações estratégicas, devendo sempre e acima de tudo estar em consonância com o conteúdo da página.
Segundo Cristiane D’avila, instrutora de Webdesign da SISNEMA, o olho humano, ao observar um monitor, consegue registrar apenas sete cores. Esta afirmação entra em concordância com a idéia de que um site muito colorido não consegue nada além de chocar e espantar o internauta. Além disso, a percepção das cores também é muito influenciada pela qualidade dos aparelhos tecnológicos.
Existem estudos que sugerem uma super-habilidade feminina para detectar e diferenciar cores, o que justificaria a edição de sites mais coloridos para as mulheres.De todas as formas, são inúmeros os detalhes e a produção de um site que os considere integralmente se torna quase impossível. Porém, alguns cuidados básicos podem gerar harmonia nas páginas e, se não torná-las mundialmente aceitas, pelo menos melhorará muito sua recepção.
